terça-feira, 10 de maio de 2011

Trecho do novo livro....

"Corria o mais que podia, na calada da noite se podia ouvir apenas o som dos altos a tocar o asfalto. O vento gelado do início de maio era tão forte que ao tocar na pele parecia cortar. Respirava com a boca aberta e por este motivo sentia a garganta seca e aquela dor característica do lado esquerdo de seu corpo, parecia uma pontada e já era dificultoso correr no mesmo ritmo sentindo aquela dor pungente.

Miranda corria por correr, por que sabia que precisava manter o mesmo ritmo para poupar sua vida, mas não estava conseguindo manter a mesma distância entre ela e o terrível ser que corria em sua direção tão veloz quanto um lince.

Com os lindos olhos verdes e arregalados olhou a sua volta na esperança de ver algum local para esconder-se, todas as portas estavam fechadas e por mais que insistisse em apertar as campainhas de algumas casas, os moradores não queriam socorrê-la.

Todos tinham medo de abrir suas portas e encontrar algo que pudesse tirar seu sono para sempre ou proporcionar um sono sem sonhos...

Não queria acreditar que aquilo tudo pudesse estar acontecendo com ela e nem sabia como sair de dentro daquele pesadelo, simplesmente corria com a boca aberta, os olhos arregalados e as lágrimas descendo em torrentes por seu rosto branco como uma porcelana. Não era possível ver o afogueado de suas bochechas devido ao espanto que estava estampado em sua face, mas o medo era tangível, era tão forte que poderia ser tocado.

Por fim, não podendo mais correr com os pés dentro daqueles sapatos de salto Luís XV, tirou-os e colocou-os na bolsa, ainda estava com sua bolsa favorita a tiracolo, mas logo se desfaria dela.

As pedras que havia no caminho machucavam seus pés descalços, a meia fina de ponteira transparente que colocara pela manhã já estava toda rasgada e um desfiado enorme subia pela perna direita e chegava até sua coxa. O coque feito com tanto capricho para ir ao trabalho já estava parcialmente desfeito, uma mecha pendia lisa sobre o rosto enquanto os grampos de strass seguravam apenas um amontoado de cabelos bagunçados e embaraçados.

Sentia o coração pulsar com tanta força dentro do peito que parecia querer sair pela boca. O lápis de olho estava borrado e o batom não se via mais o vestígio, sentia o suor brotar em sua testa, nuca, têmporas, e nas maçãs do rosto, sua panturrilha queimava, mas mesmo assim ela não podia se dar ao luxo de parar de correr, corria sempre e sempre “Meu Deus, isso é um verdadeiro terror, sinto que não posso mais correr, me ajude”.

Ao longe o sol começava a dar os primeiros sinais de que em breve iria escurecer, as nuvens se transformando em cores vibrantes, roxa, rosa, dourado, um espetáculo lindíssimo, mas Miranda não tinha tempo para observar...

Na esquina havia casa com uma pequena entrada feita por algum marginal, era no muro de uma casa abandonada, uma casa escura, com janelas quebradas, vegetação crescida pelo quintal e um canto cheio de entulhos provenientes da derrubada forçada do muro.

Quando já estava dentro do quintal daquela casa horrível, começou a passear por entre as árvores, eram árvores enormes com copas densas e altas. Havia um pequeno chafariz no centro do quintal, alguns bancos dispostos em forma de círculo e até um relógio de sol. O chafariz estava quebrado e ao invés de sair a água pela boca do peixe, saia por sua barriga dando uma estranha sensação desconfortante. No fundo da casa havia mais árvores e mais bancos, um pequeno labirinto e um mini coreto.

“Puxa vida, que casa extraordinária deve ter sido esta em seus anos áureos”. Ficou por um tempo parada olhando o coretinho, havia uma balança também do lado esquerdo na qual ela sentou-se e começou a balançar pensativa. O vento gelado ainda doía e seus pés estavam duros e doloridos, sua meia rasgada, deixava a mostra seus dedos sujos e esfolados, havia marcas de pedras na planta de seus pés e o desfiado da meia estava mais grosso.

Estava meio cansada de correr e levantar daquela balança seria uma tarefa muito dolorosa e cansativa. Pensava em tomar um banho gostoso, quente e colocar seu pijama de flanela colorido, lavar os cabelos e secá-los para dormir em uma cama bem macia... Aquela casa saída de um filme de terror tinha mais um complemento que deixou Miranda completamente sem fôlego, foi quando ela ia levantando-se da balança que ela reparou na lápide de mármore rosada e cheia de terra e musgo que havia uma pequena inscrição “Durma tranqüila, meu anjo”, não havia mais nada, apenas isto.

Trêmula pela descoberta, Miranda caminhou alguns passos adiante e parou em frente outra lápide, esta não havia nenhum tipo de inscrição, nem desenho, nem nada que confirmasse haver alguém ali, quer dizer, algum resto mortal. Horrorizada, notou que estava no meio de um cemitério. Um cemitério antigo como a casa, algumas lápides estavam meio enterradas na terra dura que guardava os restos mortais daquelas pessoas que por alguma razão não existiam mais.

Um grito rouco de horror escapou dos lábios de Miranda, pensou em sair correndo de lá, mas não se atreveu a sair para a rua novamente, não queria ter que correr daquele ser estranho. Tentou acalmar-se, o coração voltando a bater normalmente, mais controlado, mais suave...

“Não posso perder meu controle, não agora que consegui despistar aquele cara”, voltou-se para a entrada da casa, pisando na relva macia que crescia por sobre as pedras que formavam o caminho para chegar até a porta de entrada. Os pés descalços e com as meias rasgadas lembravam a cena de um filme bem antigo que ela vira uma vez, em que a mulher retorna de sua tumba e suas meias estão rasgadas e sujas... "




PS: Interessante? Espero comentários...





3 comentários:

  1. Mirian adorei!! só é uma questão de tempo pra virar sucesso.. estarei torcendo! um beijooo

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  2. Ahhh gente, mil perdões!!!!!! Só vi os comentários agora... Falta de interesse né? Pode deixar, vou colocar mais capítulos ;) beijos!!!!

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