"Dedicado a todos que saem do quarto de madrugada".
A primeira impressão é a que fica, certo? E com esta dedicação, tenho certeza que te deixou curioso, assim como aconteceu comigo.
O conto começa com um relato em primeira pessoa, nosso personagem é de uma cidade supersticiosa no interior do Pará.
Anos atrás, precisamente há 50, houve uma chuva torrencial, a qual elevou o nível do rio que abastecia a área onde estavam localizadas as três vilas ribeirinhas mais próximas. As casas de madeira foram levadas pelos ventos, restando apenas três lugares: as casas que sobraram. Em uma delas os moradores não sobreviveram, a segunda sempre esteve abandonada e a terceira... Bem, a terceira é o local aonde tudo acontece. Para variar, essas três casas ganharam fama de amaldiçoadas e a família sobrevivente, ganhou fama de haver feito um pacto com algum ser.
O inusitado é que toda a família morou ali, geração após geração e em 1984, quando nosso personagem estava com treze anos, sua avó faleceu. Foi tudo muito rápido e sem velório, apenas a família, o padre e o coveiro.
Vó Inocência Assunção tinha hábitos estranhos. Nunca estava em paz, sempre olhando para os lados como se procurasse algo. Não saia de casa antes mesmo de nosso personagem nascer e de maneira alguma saia de seu quarto na madrugada. A família a escutava gritar, arranhar e bater na parede de seu quarto, todas as noites.
Assim que voltaram do enterro, as esquisitices começaram. Já mesmo no caminho para casa, ao encontrarem as pessoas que circulavam pela rua, eram cumprimentados com um aceno de cabeça de forma quase solene e nosso personagem demorou a entender que elas já sabiam o que tinha acontecido com sua avó. Até um cachorro estava latindo sem parar para a casa.
Quando todos já estavam reunidos na sala de estar, sua mãe, que era a filha mais velha, se sentou no lugar que pertencera a sua avó e deu algumas instruções antes de ler uma carta deixada pela falecida. Ela explicou que assim que o mais novo dentre eles que conheceram a avó morresse, seria dado fim aquele ciclo. Disse também que assim que terminasse a leitura, queimariam tudo depois, logo, deveriam prestar muita atenção. A carta começava assim:
"Me perdoem, pois não aguentei. Viver quase trinta anos sendo perseguida foi demais para mim. Escrevo para dar as regras que vocês não deveriam ter de seguir, mas vão, se quiserem viver bem."
A carta continuava, mas deixarei destacados as cinco recomendações:
"1 - Queimem todas as coisas que me pertencem e todas as fotos em que apareço;
2 - Troquem todas as portas e espelhos da casa. Portas abertas são um convite;
3 - Evitem falar no meu nome e se esforcem para esquecer de mim;
4 - Não se mudem até que isso acabe;
5 - Não saiam dos quartos após a meia noite. Não importa o que aconteça, até que o sol esteja no céu, nenhum de vocês deve andar pela casa. Não usem cadeados, pois deve ser uma questão de escolha."
A carta continuava, agora explicando o motivo destas cinco recomendações. Ao término, se dividiram em grupos e foram colocar em prática tudo o que deveria ser feito.
Este conto de terror psicológico crescente vai nos deixando a par de toda a situação. Existem segredos de família, descrença, curiosidade e rebeldia... Porque não poder sair do quarto depois da meia-noite?
O fato é que não se sabe o que aconteceu nesta casa, se foi mesmo após a forte tempestade, ou, se já acontecia antes.
Meu conselho para você que chegou até aqui: leia o conto, tenho certeza que irá gostar e pensará duas vezes antes de sair de seu quarto na madrugada para ir ao banheiro, ou, beber um copo d'água.
Quer saber como a história termina? Compre AQUI o seu e-Book.





