quinta-feira, 11 de junho de 2026

O Homem na Estrada

Quem gosta de escutar causos? Histórias que as pessoas nos contam, que escutaram de um compadre, de um vizinho, avô, ou, até mesmo que escutou alguém comentar.

Quando eu estava na faculdade, trabalhei como atendente de telefone em um órgão público durante cinco anos. Era muito divertido, todos estagiários do curso de pedagogia e letras. Nos primeiros anos quase não haviam ligações no período da manhã, horário que eu trabalhava, então tínhamos muito tempo livre para conversar, jogar stop, comer e quaisquer coisas mais que desse na telha, afinal de contas, as ligações só começavam depois das 11h00.

Acabei de lembrar que nas nossas horas vagas, a Paola chegava a passar creme nos cabelos, em dias frios, quase na hora de irmos embora e colocava a touca de lã, dizendo que era só lavar quando chegasse em casa, já a Daly enquanto tomava sol deitada no sofá encostado na janela, tirava as cutículas e lixava as unhas.

Tenho inúmeras histórias deste teor para contar, mas agora, vou contar o causo que o Márcio me contou e que eu fiquei bem interessada e curiosa. Ele disse que o irmão dele mora em Minas Gerais, em um sítio afastado, desses que para chegar, você passa por estradas de terra. Ele contou que sempre, eu disse SEMPRE que ele vai visitá-lo, em determinado trecho do caminho surge na frente do carro um homem montado à cavalo, vestido com rouspas escuras, de chapéu e que anda devagar, imepdindo que o motorista  ultrapasse.

O mais estranho é  que se o motorista tenta ultrapassar pela direita, o cavaleiro também vai para a direita, se o motorista tenta a esquerda, o mesmo acontece. Ele disse que não adianta businar, chamar, piscar os faróis, o cavaleiro em seu cavalo não muda o ritmo, não olha para trás e não permite a passagem, apenas caminha lentamente como se estivesse indicando o local, uma espécie de companhia pela estrada escura de terra.

O mais estranho, como se todo o quadro já não o fosse, vem agora: assim como o cavaleiro aparece, ele some, mas o mais sinistro é que ele desaparece exatamente na porteira que leva ao sítio do irmão dele, então, ele desce do carro, abre a porteira, entra com o carro e fim da história.

Perguntei se ele não sentia medo e ele simplesmente disse que não mais, que isso acontece todas as vezes e com todos que transitam por aquela estrada naquele trecho, que acabou se acostumando com a situação, mas que por precaução, agora prefere ir durante o dia, eviatndo a escuridão, já que a estrada não possui iluminação.

Agora me contem, vocês teriam o mesmo sangue frio que o Márcio? Conte nos comentários se você já passou por algo parecido, ou, conhece alguém que tenha passado, vou adorar conhecer sua história!




quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Salgueiro Choroso

Resolvi escrever um conto em partes. Na realidade ele já está escrito há uns 2 anos, ou um pouquinho mais, porém, lembrei dele segunda-feira e aqui está, vou mostrá-lo para vocês, minha grande dúvida é saber se vocês querem ler, porque assim verei quais os dias que ele será postado para manter o ritmo e vocês não perderem nadinha.

Então vamos combinar algo. Se vocês comentarem que querem continuar a leitura, eu continuo postando as partes restantes, o que acham?


O Salgueiro Choroso

Debaixo daquele velho salgueiro choroso vejo a vida se desenrolar. São pequenos rasgos da realidade, porções mínimas de algo corriqueiro que acontece e ninguém percebe, ou, não presta atenção porque tudo a nossa volta é tão corrido que não temos mais tempo para apreciar as pequenas coisas, os sabores, as cores.

Naquele salgueiro choroso, da minha janela, ou, da cadeira de balanço em minha varanda de vidro, vejo a vida acontecer, já presenciei pedidos de casamentos lindos, ternos, apaixonados, já vi namoros começarem, brigas nascerem, discussões acaloradas emergirem e esvanecerem no mesmo instante em que um baixa a guarda e o outro pede desculpas... 

O grande prazer da vida, as conquistas, derrotas, fracassos, vitórias... Tudo isso eu vi ali, debaixo daquele salgueiro choroso, no banco de madeira pintado de branco que ali repousa há décadas.


Lembro de uma vez, há muitos anos, havia um rapaz passando por ali, e havia uma linda moça sentada naquele mesmo banco, ela estava com a cabeça baixa, o olhar meio perdido, havia tristeza em seu semblante e havia falta de esperança também. 


O rapaz, logo que percebeu passou devagar, olhando a moça com cuidado, estudando se podia se aproximar, ou, se seria uma falta de respeito adentrar em sua área de reflexão. Ele passou direto, foi até a esquina e por lá ficou alguns instantes, foi rápido, voltou no mesmo passo, devagar e reflexivo e parou em frente a moça. Esta o olhou meio sem entender e deu um breve sorriso, o sorriso mais meigo e doce que aquele rapaz tinha visto em sua vida. Ele também sorriu e lhe ofereceu uma margarida, arrancada dali, daquela esquina, do jardim de uma senhorinha idosa muito amável que toda a tarde molhava suas plantas com a mangueira e deixava exalar aquele maravilhoso cheiro de terra molhada que enchia todo aquele lugar.



Continua...

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